11 de out de 2011

De repente...

O post de hoje é de solidariedade e compaixão.

Esse final de semana, recebi uma notícia muito triste por uma amiga. A ex-cunhada dela havia sido encontrada morta no apartamento onde morava com a filha de 4 anos. A filha ficou ao lado do corpo da mãe o dia todo, sem saber o que tinha acontecido. Com certeza, a notícia mexeu muito comigo, pois sou mãe e a gente nunca se imagina sem os filhos e quando é o contrário? Como ficam os filhos?

Já tive essa experiência, pois perdi meu pai em 2007, mas eu sou adulta, tenho entendimentos e pouco a pouco vamos nos acostumando com a nova situação...e o que esperar de uma menininha de 4 anos, que morava com a mãe e a amava incondicionalmente? Que pedia a mãe para dormir? Duro, né?

Como ela vai entender e digerir a situação e a realidade de que NUNCA mais vai ver a mãe, nunca mais vai ter seus beijos, seus abraços, seu carinho. Mesmo ela sendo apenas uma garotinha de 4 anos, mesmo tendo o pai ao lado dela todos dias, tios, avós, sempre vai faltar algo. Por quanto tempo? Ninguém sabe.

A única coisa que sei é que a falta da mãe para essa garotinha, vai ser automaticamente ser dividida com todos os familiares, pois a cada pergunta sobre a mãe e a dúvida sobre o que responder, isso vai doer.

Pesquisei como seria o processo de luto para uma criança e encontrei a seguinte explicação:


O processo de luto

É sempre difícil lidar com o luto. Independentemente da faixa etária, quer se seja adulto ou criança, a perda de um ser amado causa sempre dor. Visto ser a tristeza um sentimento comum nas diferentes faixas etárias face à morte, tal como nos adultos, será comum que as crianças passem por períodos de profunda tristeza. E, tal como os adultos, as crianças necessitarão de sentir-se apoiadas e acompanhadas pelos que ama, de forma a superar esta dor, que realmente poderá nunca desaparecer inteiramente.

A forma como a criança reage perante a morte não é muito distinta da forma como lida com outras perdas, a intensidade é que pode diferir. Apesar de não serem rígidas, e de cada criança ser “um mundo”, é possível, de forma geral, verificar-se a existência de fases distintas na forma como lidam com o luto:

1- Choque: prende-se com o conjunto de reacções iniciais fase ao conhecimento da perda do objeto significativo. O tipo de reações varia muito de criança para criança, pelo que será de esperar o mais variado tipo de comportamento, e aceitá-los enquanto naturais;

2- Protesto/Negação: esta fase é caracterizada pelo estado de dúvida e dificuldade em aceitar a perda. De forma inconsciente, este mecanismo de defesa faz com a criança não encare, ou procure não acreditar no sucedido;

3- Desorganização / Depressão: verifica-se quando se começa a encarar como real e irreversível o acontecimento traumático. Devido a tal, a criança sente-se frequentemente triste, poderá possuir sentimentos de culpa, ansiedade, medo e isolamento. O seu dia-a-dia poderá ser caracterizado pelas rápidas alterações de humor, bem como pela existência de comportamentos agressivos;

4- Reconstrução/Reorganização: após a dor da perda, a criança começa, aos poucos, a ajustar-se às mudanças que se sucederam na sua vida. Verifica-se um reajustamento na sua vida, no qual de certa forma aprende a lidar com a dor, mas não a viver para ela.


Apesar do luto não ser necessariamente caracterizado por um percurso linear, antes pelos diferentes avanços e retrocessos, e pelas diferenças de situação para situação, o conhecimento destas fases pode permitir uma melhor compreensão das diferentes reacções da criança, e assim uma melhor adaptação das respostas por parte dos adultos.

A forma como a criança suportará esta dor estará sempre ligada ao apoio que sente dos que lhe são próximos. Será esse apoio que lhe permitirá transmitir todos os sentimentos que a invadem, na procura de empatia, de compreensão e conforto. Daí o papel primordial da honestidade na relação. Aos adultos que acompanham a criança pede-se que manifestem também os seus sentimentos, que os partilhem com as crianças e que, através do seu exemplo, como modelos de relacionamento para a criança, a ajudem a encontrar estratégias para lidar com a sua dor.

A tristeza do luto funciona como um “alarme”, em que se pede aos que nos são mais próximos que se juntem, que apoiem, e que ajudem a ultrapassar a dor, em conjunto. Por parte da criança, o sentir que também ajuda os adultos a ultrapassar a sua dor, ajuda-o a sentir-se importante, e a acreditar que, em conjunto e tal como os adultos, conseguirá ultrapassar este período.

Durante o período de luto, os sentimentos predominantes nas crianças são a tristeza, a revolta e o medo. Porém, as suas reacções são frequentemente caracterizadas por alterações súbitas de humor. Uma criança poderá passar rapidamente de períodos de grande tristeza, para outros de apatia, de isolamento, bem como adoptar comportamentos que fazem parecer que o acontecimento traumático lhes é indiferente. Todos estes sentimentos e comportamentos são naturais, em concreto o brincar e o sorrir, e cabe aos adultos que a acompanham salvaguardarem-se de que ela se sente apoiada, e de que existem condições para que se expresse emocionalmente. Este é um processo natural, pelo que não será necessário pressionar a criança. Esta saberá quando é o momento ideal para o fazer, e procurará a(s) pessoas com quem o quer realizar. Com relativa frequência, a(s) pessoa(s) escolhidas podem não ser as mais próximas, poderá ser uma professora ou educadora. Respeite a escolha e o tempo da criança.

Acresce referir que o propósito do presente artigo não procura dar as respostas concretas, fórmulas ou constituir um manual de instruções para os pais/educadores. Ao invés de procurar essa tarefa destinada ao fracasso, procura, acima de tudo, ajudar os adultos que lidam com crianças que passam por situações de perda a sentirem-se mais confiantes de si e preparados para o momento em que se depararem com uma situação geradora de dor como a perda. Procura-se, acima de tudo, transmitir a consciência e a confiança de que os adultos possuem a capacidade de ajudar as crianças de forma eficaz a lidar com estas situações, sempre penosas. Recomenda-se apenas os ingredientes essenciais: o amor, aliado ao contributo insubstituível do tempo. Esse amor, quando baseado numa relação sólida e honesta entre um adulto e uma criança, é o principal instrumento para permitir à criança ultrapassar de forma eficaz o leque de emoções associados à perda, ajudando-a a reconciliar-se com a vida.

Peço a Deus para que a família da minha amiga, tenha muito equilíbrio, paciência,  e sobretudo amor, para passarem por essa situação e tenho certeza que isso um dia vai amenizar e a vida vai seguir seu curso normal.

Que Deus ilumine vocês! E você Dri, sabe que eu estou aqui pro que der e vier!


Um comentário:

Débora Nunes disse...

Amiga que história mais triste!!!
Da um medo né???
Rezo todos os dias para que se algo me aconteça a clara sempre fique bem amparada!!!

Bjus...
Débora