8 de set de 2011

O triste fim da licença maternidade...




Sempre digo que toda mãe, passa por três fases distintas da maternidade: a primeira quando descobre que está grávida, a segunda quando o bebê nasce e a terceira quando tem que voltar a trabalhar e deixar para trás algumas coisas.

Quando engravidei do Cauê, tinha 24 anos. Trabalhava em dois empregos e nem passava pela minha cabeça, parar de trabalhar. Tive uma gravidez complicada e de risco (tive e tenho pressão alta) e devido a isso, tive que sair de licença 1 mês antes dele nascer e a consequência foi o retorno ao trabalho mais cedo (apenas três meses depois do nascimento dele). Isso me machucou muito, pois eu tinha muito leite e não consegui tirar uma gota sequer (meu irmão é testemunha disso!). Ficava muito, mas muito tempo longe dele, pois trabalhava em um emprego das 8h00 às 17h30 e o outro das 19h00 a 1h00. Voltava para casa acabada e quase na hora de acordar para trabalhar de novo e assim fui levando até sair de um dos empregos, pois não estava mais conseguindo conciliar tudo em minha vida e ficar longe do meu filhote era muito cruel. Ainda bem que minha mãe cuidou dele pra mim, mas na minha cabeça, eu ficava pensando que eu deveria estar ali com ele, mas não poderia jamais parar de trabalhar, pois ele dependia do meu salário.

Quando descobri que estava grávida da Clara, "entrei em pânico". A gravidez era muito desejada, mas também estava em uma fase muito boa na minha carreira e fiquei extremamente preocupada com o meu emprego. Enquanto a Clarinha estava na minha barriga, nem me preocupava muito com o retorno ao trabalho, porque isso estava muito claro pra mim: eu voltaria após o 4° mês e ainda brincava com o meu chefe, que eu iria levar a Clara comigo pro trabalho no bebê conforto, para que eu não corresse o risco de ter alguém no meu lugar. Vendi minhas férias, pois para mim, 4 meses era mais do que suficiente, nem preciso falar que me arrependi amargamente desse feito, né?

A maternidade é algo que realmente não se explica e depois que a Clara nasceu e que eu vi aquele ser tão pequeno, frágil, precisando de mim, consegui esquecer completamente que depois de 4 meses, eu teria que voltar a trabalhar.  Além de participar dos cuidados com a Clarinha, também tive a oportunidade de acompanhar mais de perto o Cauê e isso foi  muito bom para ele. A vontade era realmente de não voltar a trabalhar e cuidar integralmente dos meus filhos. A Clara veio com alguns ítens de série quando nasceu: perdeu o fôlego com 23 dias e ficou vários minutos sem voltar, engasgava quado mamava, tinha um refluxo violento e eu não queria sequer imaginar, deixá-la em um berçário ou com uma babá em casa. Meu medo era tão absurdo, que cheguei por várias vezes ter a convicção (e isso meu marido pode confirmar),  de que eu pararia de trabalhar até a Clara completar 1 ano, pois eu morria de medo de que algo pudesse acontecer a ela, principalmente depois de tantas reportagens sobre bebês que morriam engasgados em creche, etc. Só de ver essas reportagens, eu entrava em pânico. Mas não era só isso, pensava que eu iria perder várias fases dela, que as tias iam ser as primeiras a verem alguma novidade dela e de verdade, fiquei com ciúme rs.


Fui até o meu trabalho e fui tentar um acordo com o meu chefe, quando a Clara fez 3 meses. Tentei pleitear da Clara ficar comigo no escritório 1/2 período, pois o local onde trabalho, um berçário é caríssimo e o mais barato que encontrei, era nada mais, nada menos que R$ 2.000,00/mês #meodeos#. Resultado: Nada feito. Pagar o berçário perto do trabalho, estava totalmente fora de cogitação e teria que encontrar um plano B o quanto antes, pois teria que voltar a trabalhar em 30 dias. Depois de tanto pensar, resolvi colocar a Clara em um berçário perto de casa e contratar uma pessoa que a pegasse na escola no final do dia e ficasse com ela em casa até eu chegar do trabalho. Decidimos colocar a Clarinha na escolinha onde o Cauê estudou dos 4 aos 11 anos e tínhamos plena confiança na idoneidade da escola e dos profissionais, mas ao  mesmo tempo, eu apresentava uma certa resistência a todas as mudanças que estariam por vir.

Iniciamos a adaptação dela no berçário, 15 dias antes de eu retornar. O primeiro dia foi cruel, ela estranhou todo mundo e chorou 3 horas sem parar... Eu via aquela cena e a minha vontade era de pegar minha filha e nunca mais voltar. Eu estava tão ansiosa que acabei transferindo essa ansiedade para ela. Chegou uma hora que falei pra tia da escola: Chega por hoje!. Fui para casa aos prantos e liguei pro meu esposo no meio do caminho e disse que não voltaria a trabalhar. Ele pacientemente, pediu para que eu tentasse o dia seguinte, pois era assim mesmo... Como eu colocaria na minha cabeça, que era normal minha filhar chorar sem parar??? No dia seguinte, pensei muito bem antes de decidir levá-la  ao berçário, mas a levei. A tia veio até a mim e pediu para que eu fosse dar uma volta, pois ela tinha certeza que sem a minha presença ali por perto, ela ficaria mais tranquila e com muito custo eu o fiz e ela foi melhorando. Consegui a extensão da licença maternidade com 15 dias de amamentação e com isso, teria alguns dias a mais para digerir toda essa mudança.

Resumo da Ópera: A Clara chorou durante 15 dias depois que voltei a trabalhar. Ela sentiu muito a minha falta e eu senti também a falta dela nos meus braços, mamando muito "meus peitões". Ligava 3 vezes ao dia para ver como ela estava e acho que torcia para a tia falar: Mãe, a Clarinha não está se adaptando, melhor você ficar com ela em casa...rs. Dia a dia, ela foi se adaptando e hoje ela AMA a escolinha e as tias. Quando chego na porta da escola, ela já abre o sorrisão e quando a tia abre o portão, ela se joga!. A Clarinha me espera em casa e a nossa "anja", a Alê, a pega na escola pra mim.. Nossa, como sofri e até me arrepio ao lembrar dessa história, pois jamais imaginei como o nascimento dela, mudaria tanto minha forma de pensar.

Hoje vejo que a melhor coisa que eu fiz, foi ter voltado a trabalhar. Foi bom para mim e para ela também. Ela mudou totalmente, está mais "independente" e tranquila. Para quem antes, não ficava no carrinho, só queria colo, ela hoje é outra garotinha. No ínicio, ela acordava várias vezes durante a noite, só para ter certeza que eu estava lá. Eu ficava exausta, mas ver que a minha filha estava bem, já recarregava minhas baterias. Hoje tudo está na mais perfeita ordem. Normalmente chego e ela já está dormindo. Às vezes, ela acorda no meio da noite, só para dar uma mamadinha e já dorme em seguida.

E a amamentação? O post já está longo demais. Isso vai ser assunto para o próximo.

Mamãe e filhinha indo pro trabalho..rs




Beijos e até a próxima!

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